sábado, 7 de novembro de 2015

Aborto

A grande problemática que gira em torno desse assunto não chega nem ser a legalização (sou a favor) ou não, é a falta de conhecimento social que se tem a respeito de muitos outros assuntos até que se chegue á prática do aborto ou não. 

Vivemos em uma sociedade carente de debates, e quando falo debate eu não digo as alienações que acontecem por aí, mas de se discutir pontos de vistas e avaliar o qual melhor se aplica para determinada situação, assim chegamos á respostas eficientes.

Muito do que se ouve por aí é: "Ah, mas falta de informação sobre sexo, camisinha, pílulas não é." Realmente não chega a ser falta de informação, é falta de educação mesmo, conhecimento, não sentido ilustrativo, mas no sentido literal, de você aprender, formar uma opinião e estar preparado. 

A maioria dos adolescentes ou pré, tem sua primeira noção de sexo por amigos, que geralmente ouviram de outros amigos ou que praticam de forma negligente. Se tivermos que apontar o primeiro culpado este seria a família, aquela que não informa, que não ensina, que tem pudor e vergonha de algo natural e que vai acontecer em determinado momento da vida.

Não existe hora certa para falar de sexo, é basicamente você ensinar o que é certo e o que é errado, você não ensina seus filhos que veneno mata esperando que ele vá se envenenar, da mesma coisa deve-se ensinar sobre sexo, ensiná-lo a praticar com muito mais responsabilidade e segurança.

Outro grande culpado é o próprio estado, quanto mais cedo a orientação sexual começar nas escolas, mais preparadas e menos idiotas serão estes alunos para tratar desses assuntos.

Saber de algo não me faz deter conhecimento, e é o conhecimento, a opinião que transforma. Quanto mais cedo meninas souberem que sexo seguro é muito mais prazeroso, menos elas serão levadas á praticar de forma aleatória e displicente. Quanto mais cedo meninos aprenderem e levarem sexo á sério, não como um joguete juvenil, mais eles se preocuparão e se conscientizarão em proporcionar  segurança e não usar desculpas como: "Eu não gosto de usar camisinha."

Pessoas despreparadas para a vida é o resultado de tanto pudor na sociedade e julga-se de passagem que de pudor a sociedade não tem nada só resta hipocrisia e falta de informação.

O sistema único de saúde que atende a demanda pública é precário, novamente nos vemos empacados diante do progresso, no Brasil não há uma orientação preventiva dos problemas, existe uma paliativa. O que nos leva a atual situação: pessoas que usam aborto ilegalmente como uma forma contraceptiva.

Falta novamente de conhecimento!

Claro que após tudo que foi falado você deve tá pensando que me contradisse sobre ser a favor da legalização do aborto. Errado novamente, leia com atenção, ser a favor da legalização não me faz cega diante dos problemas culturais que temos no Brasil, e estes antes de tal ato devem ser implantados, então é algo a longo prazo. E não como se em cada esquina fosse haver uma clínica: "Desconto de 50% para procedimento de aborto" e para que isso não aconteça tem-se que ver o problema como ele realmente é e não criar desculpas e continuar de olhos fechados.

É necessário um projeto eficiente de lei, laico e que respeite o eu, antes do social. É necessário determinar que o aborto é um procedimento sério e portanto deve-se ser realizado como tal e através dos motivos certos (descarta-se o modo contraceptivo usado até hoje), acompanhamento psicológico, clínico, conscientização dessa mulher e se por fim, a decisão que SÓ CABE A ELA for de seguir com o procedimento, então ele é realizado.

O governo age como deve, a mulher reafirma seu direito sobre o corpo, e a sociedade continua.

O fato de uma mulher próxima ou não a mim fazer aborto não significa reprodução por osmose de tal ato, se eu tiver conhecimento sobre os dois lados da moeda, e com isso uma opinião sobre o assunto, vai me fazer avaliar melhor as possibilidades que tenho, não é porque PODE-SE fazer aborto e que seja legal que todas as mulheres vão fazer. 

Todos nós já nascemos, fato. Mas aqueles que ainda não, nem entendem nada disso, não tem que lidar com nada disso. O que estamos tratando é com as pessoas que sofrem e que ainda continuarão vivas e com saúde e o psicológico em acompanhamento para lidar com a vida ou a morte.

Conhecimento salva muito mais vidas do que viver as cegas.

Encarar tal ato como incetivo é ser leigo, é ser até uma pessoa incapaz de lidar com tais questões, portanto a opinião é mais pra encher linguiça e ferver debates alienados.

Ser pró vida da mulher, não é deixar de sentir pela decisão daquela mulher, é apenas não interferir em algo que não lhe diz respeito como individuo e como parte da sociedade.

E se formos sentir pelas crianças, por quê não promover educação de qualidade, saúde, e dá noção de futuro á elas. Quantas crianças são abandonadas? Quantas delas estão para adoção e nada é feito? Cadê todo esse amor ás crianças? Cadê a proteção? Quantos pais não abandonam seus filhos? Este não é um tipo de aborto psicológico? Quantas crianças tem que lidar com as mazelas deste mundo?

E não, essas perguntas são apenas reflexões da sociedade hipócrita que temos. A opinião é livre e se embasada é sua, eu aqui só expus a minha, você não é obrigado a levar pra si, mas reflita, mesmo que não haja a legalização do aborto, não desvalida a necessidade de mudanças preventivas na sociedade. 

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