sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Maranhão sob a ótica da obra sobre a banalidade do mal de Hanna Arendt

Assistindo ontem, o filme sobre Hanna Arendt, eu fiquei o tempo todo pensando em como também vivemos a tal banalidade do mal que tanto ela tenta fazer explicita em seu artigo sobre o julgamento de Eischmann.

De certa forma, individualmente, somos o burocrata medíocre frente a nossa forma de cidadania. Votamos por vários motivos, muitos, pensam que estão fazendo muito por seu país, estado, outros não dão o valor necessário, não há uma educação política capaz de nos fazer pensar sobre, nos posicionar, viramos simples peças de um jogo, onde a nossa capacidade de ser humano nos é atrofiada, a de pensar. Não pensamos, por isso, a cada ano de votação, aguentamos calados às propagandas mentirosas e beirando o ridículo, as passeatas, a poluição sonora, sério, é algo como estar passando por momentos de terror, mas aguentamos como bons burocratas que somos nosso papel é votar, então votamos, mesmo sabendo que ainda não sabemos votar, mas nos obrigamos a fazê-lo.

Assim como o povo judeu, e não falo isso tentando amenizar, aumentar ou desmerecer seus sofrimentos, e segundo a visão de Hannah, a falta de posicionamento de verdadeiros lideres, lideres como Martin Luther King, que se posicionaram, que pensaram, assumiram a responsabilidade por seu povo, e assim, fizeram a diferença, e deram ao seu povo um pensamento pelo qual lutar, não porquê estes não sabiam a barbárie que viviam, mas pelo simples motivos que foram incitados a pensar essa barbárie e não aceita-la.

Olho com inveja para um passado de pessoas engajadas, ideológicas, sinto tudo muito morno, talvez pela falta de grandes personalidades, ou ainda pela falta de interesse de pessoas medíocres como eu. Pensar sobre isso, me conforta e me aflige, pois ao mesmo tempo em que não podemos ser “cruxificados” por sermos apenas burocratas, também nos pesa a cruz por não sairmos dessa comodidade, por não nos levantarmos, e agir como o povo judeu deveria ter agido, não podemos simplesmente aceitar o sistema, devemos lutar até o fim, já que estamos todos nesse campo de concentração, vamos usar aquilo que temos a nosso favor, o pensamento. Que não mais nos justifiquemos, que possamos agir, que possamos influenciar.

Deixar essa “banalidade do mal” nos exige isso, pois é no vazio de pensamento que a mesma se instala, o mal é sempre extremista, o bem sempre radical. Em tempos de lagosta e um estado RYCO em pobreza, sejamos radicais e provoquemos a vontade de pensar em nós e nos outros, lamurias e pesares não nos cabe mais, afinal a mediocridade de Eischmann não o abstinha de sua culpa nos atos vazios e extremistas, assim como não abstém nossa culpa por um Maranhão, um Brasil onde essas atitudes são vistas como cotidianas.

PS: Banalidade do mal para Hannah: Quando um ser humano ser recusa a agir, segundo sua condição natural de ser pensante.

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