sábado, 7 de novembro de 2015

Aborto

A grande problemática que gira em torno desse assunto não chega nem ser a legalização (sou a favor) ou não, é a falta de conhecimento social que se tem a respeito de muitos outros assuntos até que se chegue á prática do aborto ou não. 

Vivemos em uma sociedade carente de debates, e quando falo debate eu não digo as alienações que acontecem por aí, mas de se discutir pontos de vistas e avaliar o qual melhor se aplica para determinada situação, assim chegamos á respostas eficientes.

Muito do que se ouve por aí é: "Ah, mas falta de informação sobre sexo, camisinha, pílulas não é." Realmente não chega a ser falta de informação, é falta de educação mesmo, conhecimento, não sentido ilustrativo, mas no sentido literal, de você aprender, formar uma opinião e estar preparado. 

A maioria dos adolescentes ou pré, tem sua primeira noção de sexo por amigos, que geralmente ouviram de outros amigos ou que praticam de forma negligente. Se tivermos que apontar o primeiro culpado este seria a família, aquela que não informa, que não ensina, que tem pudor e vergonha de algo natural e que vai acontecer em determinado momento da vida.

Não existe hora certa para falar de sexo, é basicamente você ensinar o que é certo e o que é errado, você não ensina seus filhos que veneno mata esperando que ele vá se envenenar, da mesma coisa deve-se ensinar sobre sexo, ensiná-lo a praticar com muito mais responsabilidade e segurança.

Outro grande culpado é o próprio estado, quanto mais cedo a orientação sexual começar nas escolas, mais preparadas e menos idiotas serão estes alunos para tratar desses assuntos.

Saber de algo não me faz deter conhecimento, e é o conhecimento, a opinião que transforma. Quanto mais cedo meninas souberem que sexo seguro é muito mais prazeroso, menos elas serão levadas á praticar de forma aleatória e displicente. Quanto mais cedo meninos aprenderem e levarem sexo á sério, não como um joguete juvenil, mais eles se preocuparão e se conscientizarão em proporcionar  segurança e não usar desculpas como: "Eu não gosto de usar camisinha."

Pessoas despreparadas para a vida é o resultado de tanto pudor na sociedade e julga-se de passagem que de pudor a sociedade não tem nada só resta hipocrisia e falta de informação.

O sistema único de saúde que atende a demanda pública é precário, novamente nos vemos empacados diante do progresso, no Brasil não há uma orientação preventiva dos problemas, existe uma paliativa. O que nos leva a atual situação: pessoas que usam aborto ilegalmente como uma forma contraceptiva.

Falta novamente de conhecimento!

Claro que após tudo que foi falado você deve tá pensando que me contradisse sobre ser a favor da legalização do aborto. Errado novamente, leia com atenção, ser a favor da legalização não me faz cega diante dos problemas culturais que temos no Brasil, e estes antes de tal ato devem ser implantados, então é algo a longo prazo. E não como se em cada esquina fosse haver uma clínica: "Desconto de 50% para procedimento de aborto" e para que isso não aconteça tem-se que ver o problema como ele realmente é e não criar desculpas e continuar de olhos fechados.

É necessário um projeto eficiente de lei, laico e que respeite o eu, antes do social. É necessário determinar que o aborto é um procedimento sério e portanto deve-se ser realizado como tal e através dos motivos certos (descarta-se o modo contraceptivo usado até hoje), acompanhamento psicológico, clínico, conscientização dessa mulher e se por fim, a decisão que SÓ CABE A ELA for de seguir com o procedimento, então ele é realizado.

O governo age como deve, a mulher reafirma seu direito sobre o corpo, e a sociedade continua.

O fato de uma mulher próxima ou não a mim fazer aborto não significa reprodução por osmose de tal ato, se eu tiver conhecimento sobre os dois lados da moeda, e com isso uma opinião sobre o assunto, vai me fazer avaliar melhor as possibilidades que tenho, não é porque PODE-SE fazer aborto e que seja legal que todas as mulheres vão fazer. 

Todos nós já nascemos, fato. Mas aqueles que ainda não, nem entendem nada disso, não tem que lidar com nada disso. O que estamos tratando é com as pessoas que sofrem e que ainda continuarão vivas e com saúde e o psicológico em acompanhamento para lidar com a vida ou a morte.

Conhecimento salva muito mais vidas do que viver as cegas.

Encarar tal ato como incetivo é ser leigo, é ser até uma pessoa incapaz de lidar com tais questões, portanto a opinião é mais pra encher linguiça e ferver debates alienados.

Ser pró vida da mulher, não é deixar de sentir pela decisão daquela mulher, é apenas não interferir em algo que não lhe diz respeito como individuo e como parte da sociedade.

E se formos sentir pelas crianças, por quê não promover educação de qualidade, saúde, e dá noção de futuro á elas. Quantas crianças são abandonadas? Quantas delas estão para adoção e nada é feito? Cadê todo esse amor ás crianças? Cadê a proteção? Quantos pais não abandonam seus filhos? Este não é um tipo de aborto psicológico? Quantas crianças tem que lidar com as mazelas deste mundo?

E não, essas perguntas são apenas reflexões da sociedade hipócrita que temos. A opinião é livre e se embasada é sua, eu aqui só expus a minha, você não é obrigado a levar pra si, mas reflita, mesmo que não haja a legalização do aborto, não desvalida a necessidade de mudanças preventivas na sociedade. 

domingo, 25 de outubro de 2015

Ser Mulher

É incrível ter um mundo que ainda oprime mulheres, as trata como seres inferiores, desiguais. Hey, vocês nascem de uma mulher, não são as mulheres que nascem de vocês ou nascem porque vocês dão uma costela para que elas possam viver.

"Mulher é da casa, Homem é da rua"

Sim, homens são geralmente, e observem a palavra que estou usando é GERALMENTE mais fortes que as mulheres no seu biotipo físico, mas não quer dizer que todas as mulheres sejam fracas e indefesas, ou que precisem de um homem ao seu lado, ou que deva cumprir tarefas designadas socialmente para elas.

Ser mulher vai muito além de ter corpo frágil, olhos meigos, sorrisos encantadores, seios, vagina. Ser mulher é ter mais do que tudo coragem pra viver em mundo de tamanha discriminação, tentar mudar padrões sociais e serem subjugadas, menosprezadas. É ter coragem de encarar o mundo, de existir conforme a sua verdadeira identidade, que vai muito além da biológica.

É ser mulher branca, negra, parda, índia, amarela. É ser mulher cis, é ser mulher trans, é sentir e cumprir seu papel neste mundo, e quando falo isso eu não estou falando de obedecer padrões sociais, estou falando de ir atrás do que realmente querem, de ser quem realmente são, bombeiras, policiais, políticas, artesãs, engenheiras, marceneiras. É amar, é sentir tesão, é fazer sexo porque quer, na hora que quiser, com quem quiser, é poder ser mão solteira, ou não ser mãe, é ter controle por seu próprio corpo, é reajustar o seu corpo, é se sentir bem consigo mesma. Ser mulher é ter direitos, ter deveres, é ser cidadã, agora me diz: No que difere tanto ser mulher de ser homem? Nada.

Ser mulher é receber salários iguais, é ter liberdade de expressão, é poder sair pra um bar com suas amigas ou amigos sem ser julgada, é poder trabalhar com o que quiser, do jeito que quiser, é ter voz para as decisões que acontecem sobre o ser mulher, afinal, como um homem pode entender o que é ser mulher? 

É poder andar com camisinha sem ser tida como fácil, é poder usar a pilula do dia seguinte, é poder abortar.

É beijar um homem, ou dois, ou quantos quiser, é beijar uma mulher, a quantidade que quiser, é beijar por curiosidade, por amor, paixão, pelo que quiser, não se deve ter desculpa pra fazer nada além da sua própria vontade. 

É abrir um mundo de possibilidades para uma sociedade que ainda engatinha e que precisa dos cuidados deste ser mulher.

Ser mulher é exercer um simples papel que lhes vem sendo negado, constantemente usurpado, o de ser mulher, temos uma sociedade que exerce uma ideologia masculina, em que os homens acham que tem conhecimento para decidir por mulheres, mas cresçam rapazes, vocês é que precisam de cuidados de mulheres até seu caráter ficar pronto, como agora querem ensinar mulheres a serem mulher?


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Visibilidade de Gêneros

Um dos assuntos que mais andam me incomodando são os debates políticos em torno de identidade de gênero, que acaba se tornando um debate também religioso - não vejo motivo para tal - e a minha própria falta de conhecimento aprofundado sobre o assunto, essa visão simplificada da coisa acaba sendo um dos maiores problemas que estamos tendo hoje no Brasil.

Em nenhum momento me excluo de qualquer crítica, afinal ainda to me reconstruindo, vivemos numa sociedade sexista, desinformada, corrupta, desigual, e construída com base religiosa. Temos uma das melhores constituições do mundo, porém na prática, vivemos sob uma forma de "lei da vida", quando se pensarmos bem em uma sociedade, todos os seus cidadãos deveriam ter seus direitos assegurados, independente de raça, sexo, condição financeira. 

O engraçado é que, durante anos lutou-se contra o racismo que ainda se apresenta de diversas formas, seja explicita ou não, é quase que uma herança cultural. A condição social é fator de calamidades pelo Brasil afora, e finalmente SEXO, SEXUALIDADE e muitos outros afins tem movido discursos de ódio, intolerância, exclusão social, tabu, marginalização.

As pessoas não sabem ou não querem saber, mas existem muitas formas de se expressar sexualmente, como em forma de identidade de gênero, ex: um homem transgênero ( mulher biológica, mas que se identifica como homem), conhecidos como "travestis"; uma mulher cis (mulher biológica que se identifica como tal). Só que as pessoas esquecem que somos seres sexuais e estas questões vão muito além do preto e do branco, não é a toa que o símbolo da comunidade LGBT é uma bandeira nas cores do arco-íris, há uma infinidade de possibilidades. Você pode ser uma mulher/homem trans que sua orientação sexual seja homoafetiva, enquanto sua identidade de gênero é do sexo oposto. Ex: Mulher Trans Lésbica ( Biologicamente: Homem, Identidade de Gênero: Mulher, Orientação Sexual: Lésbica), vendo por essa ótica, não adianta muito saber se o seu bebê é menino ou menina, há que se esperar que ele manifeste sua identidade sexual.

"Entre janeiro de 2008 e abril de 2013, foram 486 mortes, quatro vezes a mais que no México, segundo país com mais casos registrados."


Não bastava as barreiras que já temos com os gays, lésbicas, estas conseguem ser ainda mais elevadas com os transexuais, são mortos todos os dias pela intolerância daqueles que se dizem cidadãos de bem, e a questão não é nem entender, ou aceitar, e sim, respeitar! Respeitar as diferenças, você pode ser comum, mas mesmo dentro do comum social há trocentas outras maneiras de ser, de se expressar, e a identidade de gênero é só mais uma delas, ninguém sai por aí matando quem gosta de folk, ou quem gosta de loiras e não morenas, então existe uma hipocrisia que é todo dia jogada nas nossas caras como comum, e que Zeus me livre desse comum.

A orientação sexual, assim como a identidade de gênero não é questão política, apesar de precisar de aparatos políticos para que haja dignidade na expressão de tal, e muitos menos religiosa já que não é uma afronta a ninguém, muito menos a igreja nenhuma, ou a qualquer deus, sim deus, por quê se há um DEUS, ele com certeza está longe de praticar blasfêmias ou ser conveniente com as quais seus ditos seguidores e adoradores realizam todos os dias por todo o mundo. Não cabe a outro ser humano que exerça qualquer tipo de poder numa comunidade ou hierárquico, julgar o que eu sou como individuo, cidadão, principalmente numa constituição que me assegura direitos em lei. Mas pra polemizar um pouco, se partirmos do ponto religioso, deus nos deu livre arbítrio para fazermos nossas escolhas e que a igreja estaria ali para orientar aqueles que o seguem, então a primeira coisa errada é que os mesmos infringem tal lei divina quando tentam impor tal modo de vida, de pensamento suprimindo a liberdade de escolha, cadê a diferença de pecados, já que pode-se subentender da bíblia que não há pecadinho ou pecadão? O amor foi o maior ensinamento de tal deus, e seus seguidores espalham tal amor coagindo pessoas a todo tempo, o amor é sobre ser paciente e benigno, paciente para esperar tudo, e benigno para amar sem esperar nada em troca, mas por uma pessoa ser diferente daquilo que eu levo como cartilha, eu digo que o amo, mas na verdade quero muda-lo a todo instante, discrimino, não o aceito, coajo, marginalizo, onde está o amor em tal ato? 

Será que estes não veem seus pecados antes de atacarem os dos outros? Jesus, provavelmente não coagiu ninguém, através de seu testemunho conquistou de coração seus seguidores, conviveu com ladrões, prostitutas, viados, sapatões, adultério, ele viu de tudo e em nenhum momento eu to querendo equilibrar os exemplos citados, só que nesta sociedade que ainda marginaliza tais exemplos por questões também religiosas é necessário refletir sobre os quais realmente lhe interessavam, os que estavam ali pra conceber seus ensinamentos, deixando-os livres em sua palavra para escolher e arcar com os seus atos, sendo estes errados ou não, segundo sua lei, e por fim, amar incondicionalmente a todos, e morreu por todos, seria um bom exemplo a se seguir, morram, morram pra suas hipocrisias, pra suas falacias sem fundamentos, pra seus perjúrios, pra seus afrontamentos, pra tudo aquilo que vocês pregam e não vivem, morram pros seus próprios pecados e deixem as pessoas viverem como lhes é conveniente, até por quê cada um tem seu direito social, e se você não quer conviver em tal, se isole, conviva só com aquilo que você quer ouvir ou ver, mas não obrigue uma sociedade a mudar por sua necessidade de ser deus, agir por deus, matar por deus, ofender por deus. Seja Deus e morra pra suas próprias ignorâncias veladas em hipocrisias.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Tema de Novela

Uma das coisas mais difíceis é fazer o povo brasileiro parar de ser hipócrita, coisas que acontecem todos os dias na cara das pessoas, elas não aceitam ver em novelas porque supostamente estariam influenciando.


Primeiro que tudo na vida pode nos influenciar, mas temos que ter bom senso para estas questões.
Outra, a novela não é em sua totalidade fantasiosa, ela é uma obra que é baseada na vida real, o principal objetivo é entreter? Sim, porém a novela também está ali para prestar serviços públicos, como: campanhas, debates sobre temas atuais, quebrar tabus, e também fazer a sociedade refletir sobre a realidade.


Se pensarmos, não gostaríamos de ver nossa realidade estampada todas as noites, revê o que vivemos, sofrer o que sofremos. Talvez seja por isso tão necessária a idealização de um vilão, contudo ainda mais a redenção. Isso tem mudado o script das novelas, já não reconheço “Bias Falcão”, “Nazarés Tedesco”, vejo novos símbolos como “Felix”, “Carminhas”. Vilões mais amados que mocinhos. (Confesso que sempre acho os vilões mais interessantes, mocinhos tem que ter cuidado para não ser muito doces).


Vejo uma sociedade nem um pouco preparada para visualizar sua realidade, porque quanto mais real, menos ibope, uma sociedade que buga o sistema por não deixar as representações necessárias serem mostradas. Tudo bem, vamos logo ao assunto preferido: o beijo gay.


O tão esperado beijo (selinho demorado) gay. Foi bonitinho, boa recepção, mas qual motivo de tanto fuzuê? Nem foi um beijo. Por anos crianças são expostas da verem cenas de sexo quase explícito por atores globais, e o cara que é homossexual na novela tem que cumprimentar seu parceiro com um abraço? Eu acho ridículo. Isso nos mostra uma sociedade extremamente preconceituosa. E pior, quando uma segunda novela resolve ter sua cota gay, gera-se um novo debate sobre a possibilidade de beijo gay ou não. Qual é? Pra mim, o problema não está na representação do beijo, está no enredo complicado que o autor gerou em cima disso tudo, me incomoda mais ela ser casada, ser feliz com o marido, ter um filho, o marido está doente, ela ficar numa puta indecisão do que ela chegar lá é dar um beijo qualquer que será mais um entre tantos.


Tema beijo gay, encerrado.


Falando agora, especificamente de Manoel Carlos, ele gosta de colocar umas picuinhas entre mães e filhas e claro, um bofe baphonico no meio delas. Muita gente está criticando o fato que a Luiza irá se envolver com o Laerte. O que eu tenho a dizer é: sociedade hipócrita. Se você homem de família, defensor dos bons costumes fosse Laerte iria pegar a filha, e ainda por cima ainda investiria na mae.

Você, moça defensora das mães oprimidas, se tivesse a chance de estar no lugar da luiza, ficaria sim com Laerte. O povo pensa de fora da situação, quando deveriam pensar como se fossem a pessoa.

Quantas meninas não namoram caras que a mãe, a família acha horrível e não estão nem ai? Isso as fazem melhor que Luiza? Nenhum pouco.


Quantos caras se sentem dono das namoradas, as humilham? Depois de uma amadurecimento mudam. Sim, eu estou falando com você.


O problema ai, é ver qual destino de personalidade que o autor vai dar aos personagens, como eles vão agir, quais problemas vão enfrentar.



Os temas de novelas servem para termos uma visão de nós, de nos vermos de fora, mesmo estando dentro. Não é pensar na vida como uma suposição, é pensar nela como uma realidade continua e necessária de um ponto de vista crítico e bastante refletido, não só emocional.


Aos que criticam as novelas, assistam ao cenário político do país, talvez algum dia possamos ver as mudanças que vocês tanto lutam nas novelas. :*

Versos Trágicos

Os fatos trágicos que marcam a humidade todos os dias me fazem refletir sobre o que é ser humano, o que é ser desumano, se somos bem e mal, temos tendência iguais para ambos, nessa selva, estamos no topo da pirâmide, caçamos por prazer, o prazer da supremacia, do poder, mas principalmente para não perdemos o controle de nossas vidas e influências.


Hoje uma Claudia foi arrastada, ontem uma jovem universitária foi esquartejada, amanha certamente outra tragédia acontecerá, a indignação vem até que outra ocupe o seu lugar e assim vamos vivendo.

Já dizia Augusto dos Anjos:


“… O homem, que, nesta terra miserável, mora, entre feras, sente inevitável necessidade de também ser fera …”


Então, acostuma-te a lama que te espera. Um discurso um tanto pessimista, porém nunca tão realístico, nos acostumamos e hoje nos banhamos com os porcos, tomamos vinho com Dionisio e
Saudamos a Deus todo poderoso.

Blasfêmia minha falar assim?

Julgada ser guerra ideológica, a guerra fria nos salvou de um comunismo eterno ou nos prendeu eternamente ao capitalismo?

O que nos interessa é o que somos, e que temos sim a capacidade de mudar nossa realidade, deixamos de ser estática e pensar numa cultura antropológica para nos questionarmos quais mudanças devem ser feitas para que Claudias, Isabelas, Joaos, Pedros, dentre outros não sofram as consequências de nossa omissão.


Que aceitemos de vez nossa culpa, nós escolhemos o sistema, nós somos liderados por ele, não lutamos contra seus efeitos, e não por questão de sobrevivência, mas por questões de moral, possamos transformar vidas, e consequentemente pudermos deitar nossas cabeças nos travesseiros e dormimos sabemos que fizemos de tudo por um mundo melhor.

Seguimos o que de mais sagrado que temos, nossa capacidade de ser humano, de escolher ser bom, de escolher respeitar, honrar princípios.
Por quê se viver é seguir o sistema, o beijo, amigo, é a véspera do escarro!

Maranhão sob a ótica da obra sobre a banalidade do mal de Hanna Arendt

Assistindo ontem, o filme sobre Hanna Arendt, eu fiquei o tempo todo pensando em como também vivemos a tal banalidade do mal que tanto ela tenta fazer explicita em seu artigo sobre o julgamento de Eischmann.

De certa forma, individualmente, somos o burocrata medíocre frente a nossa forma de cidadania. Votamos por vários motivos, muitos, pensam que estão fazendo muito por seu país, estado, outros não dão o valor necessário, não há uma educação política capaz de nos fazer pensar sobre, nos posicionar, viramos simples peças de um jogo, onde a nossa capacidade de ser humano nos é atrofiada, a de pensar. Não pensamos, por isso, a cada ano de votação, aguentamos calados às propagandas mentirosas e beirando o ridículo, as passeatas, a poluição sonora, sério, é algo como estar passando por momentos de terror, mas aguentamos como bons burocratas que somos nosso papel é votar, então votamos, mesmo sabendo que ainda não sabemos votar, mas nos obrigamos a fazê-lo.

Assim como o povo judeu, e não falo isso tentando amenizar, aumentar ou desmerecer seus sofrimentos, e segundo a visão de Hannah, a falta de posicionamento de verdadeiros lideres, lideres como Martin Luther King, que se posicionaram, que pensaram, assumiram a responsabilidade por seu povo, e assim, fizeram a diferença, e deram ao seu povo um pensamento pelo qual lutar, não porquê estes não sabiam a barbárie que viviam, mas pelo simples motivos que foram incitados a pensar essa barbárie e não aceita-la.

Olho com inveja para um passado de pessoas engajadas, ideológicas, sinto tudo muito morno, talvez pela falta de grandes personalidades, ou ainda pela falta de interesse de pessoas medíocres como eu. Pensar sobre isso, me conforta e me aflige, pois ao mesmo tempo em que não podemos ser “cruxificados” por sermos apenas burocratas, também nos pesa a cruz por não sairmos dessa comodidade, por não nos levantarmos, e agir como o povo judeu deveria ter agido, não podemos simplesmente aceitar o sistema, devemos lutar até o fim, já que estamos todos nesse campo de concentração, vamos usar aquilo que temos a nosso favor, o pensamento. Que não mais nos justifiquemos, que possamos agir, que possamos influenciar.

Deixar essa “banalidade do mal” nos exige isso, pois é no vazio de pensamento que a mesma se instala, o mal é sempre extremista, o bem sempre radical. Em tempos de lagosta e um estado RYCO em pobreza, sejamos radicais e provoquemos a vontade de pensar em nós e nos outros, lamurias e pesares não nos cabe mais, afinal a mediocridade de Eischmann não o abstinha de sua culpa nos atos vazios e extremistas, assim como não abstém nossa culpa por um Maranhão, um Brasil onde essas atitudes são vistas como cotidianas.

PS: Banalidade do mal para Hannah: Quando um ser humano ser recusa a agir, segundo sua condição natural de ser pensante.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Politicagens e a Sociedade

Não espere que este seja um texto que vá defender um ou outro lado, que tenha influencias partidárias ou revolucionista, sou apenas uma garota em um momento de ócio que irá falar de algo que lhe incomoda já que, nasceu no Brasil, mas especificamente no nordeste e pois é, fo-di-da.

É incrível como vivemos numa sociedade medíocre, não só de opinião, mas de comportamento, não me excluo em momento nenhum, mas refletindo sobre, a sociedade brasileira já está corrompida a tal nível que você já nasce sem inocência, e isso me faz associar a escória, aos putos que nos colonizaram.

Sim, é como se fosse parte do DNA, em algum momento, em algum lugar ou mesmo sem querer, até mesmo sem saber - ou fingindo não saber, você entrou na rede, é um peixe fora d'água, fisgado.

O grande lance da democracia é pura a ilusão de que algum dia, com as pessoas certas - estas, que nunca realmente estarão no poder, ou mesmo que estejam no governo, não detêm poder - e com os projetos certos, numa certa sociedade, o nosso belo, impávido e colosso país seja de fato, seja democrático. Palavra essa que, deveria ter a mesma insignificância que comunismo, de fato, não existe e talvez, nunca irá, deixando claro que o "talvez" é por que sou realmente positiva.

Um prefeito é eleito para administrar um município, um governador; um estado, um presidente; um país, mas se nem as associações de moradores dos bairros conseguem entrar em consenso sobre como melhor atender as demandas de todos, um presidente entocado em seu castelo no meio do Brasil, assinando folhas, sendo influenciado por metade do contingente populacional aqui presente, conseguirá garantir a todas as minorias sejam atendidas, esta é a verdade, sempre será o projeto para as próximas eleições, isso será o que nos próximos 4 anos fodidos a vir, nós lutaremos para conseguir, e é num futuro tão distante que você começa a acreditar nesse amanhã de contos de fadas.

E olha só a cagada da história, eu ouço você, assim como outras pessoas, mas onde está o problema, nós somos minoria, e somos a minoria que nos próximos 4 anos o governo
vai trabalhar para atender, e temos uma sociedade que não se importa com nada além de sua boa vida ou melhorar sua vida de merda, o que eu nem julgo, já que era com isso que eu deveria estar me preocupando também, temos um padrão, e este padrão é cruel, mas escolhemos ele há tempos, e foi-nos presenteado através de algo tão simples, o escambo, e hoje é o vulgo capitalismo.

                                                                               Welcome to Disneyland and Have Fun!
                                                                                                                    - Carol Aquino